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William Wilson e o Universo

Publicado por: Daniel Pochintesta
segunda-feira, 15 de outubro de 2012


No filme Biutiful, o personagem de Javier Bardem diz que não quer morrer, pois não pode deixar seus filhos sozinhos. Sua amiga, uma espécie de guia espiritual, lhe diz então: "Acredita que é você quem cuida dos pequenos? Não seja ingênuo. O universo cuida deles." Essa noção de que estamos sujeitos a princípios que transcendem nossas leis e desejos diz muito sobre as questões que o diretor Alexandre Rudáh pretende levantar com o espetáculo William Wilson e o Universo, que estreia dia 19 de outubro, às 20 horas, na Sala Multiuso do Espaço SESC.

William Wilson é o nome fictício utilizado por um homem que, ao se aproximar da morte, roga de seus semelhantes a compreensão pelos atos que o levaram à ruína completa. Segundo ele, seus infortúnios começaram na escola, onde conheceu um garoto que, além da aparência física, tinha o mesmo nome e data de nascimento que ele. A partir disso, Edgar Allan Poe desenvolve o tema do Doppelgänger, termo cunhado por Jean Paul Richter em 1796 para designar as pessoas que veem a si mesmas.

O cuidado e a sutileza dessa narrativa estabelecem uma composição baseada na racionalidade, na lógica e em elementos do Fantástico, gênero literário caracterizado por situações que, distantes da realidade humana, inverossímeis ou imaginárias, são ligadas por uma causalidade de caráter mágico: pode ser que o duplo seja apenas uma representação da consciência de William Wilson. Tomas Mann, comparando William Wilson e O Duplo, de Fiódor Dostoiévski, disse que ambos exploram o tema de maneira similar, mas que Edgar Allan Poe lida com esse famoso motivo romântico por meio de um caminho muito mais profundo, no que diz respeito ao sentido moral e a sua resolução através da poética.

A composição dramatúrgica William Wilson e o Universo apresenta ainda recortes de Eureka: Um Poema em Prosa – ensaio filosófico e cosmológico, baseado na conferência O Universo. Publicada em 1848, a obra é o "canto do cisne" de Edgar Allan Poe. Segundo Einstein, o ensaio é uma bela execução de uma mente extraordinariamente independente. Através dele, o autor descreve sua concepção sobre a natureza do universo e discute a relação do homem com Deus, a quem ele compara com a figura de um autor. Edgar Allan Poe considerou Eureka como sendo seu trabalho mais importante. No contexto do espetáculo, os recortes desta obra são apresentados como epílogo do personagem William Wilson, também revelando ao espectador uma visão poética e apaixonada sobre o destino do homem e do universo.

William Wilson e o Universo
Dias e horários:
  19 a 21 de outubro (sex a sab às 20h e dom às 18h)
  26 de outubro (sex às 20h)
  1 a 11 de novembro (qui a sab às 20h e dom às 18h)
Onde? Espaço SESC (Sala Multiuso)
Rua Domingos Ferreira, 160 - Copacabana
Quanto? R$ 20,00 (inteira)

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