Últimos Posts
Cultura

Teatro

Shows

Exposições

Noite

Festas

Esportes

Eventos Esportivos

Cinza

Publicado por: Carioca Cult
quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Esqueça o "era uma vez..." e os finais felizes. Cinza é um musical rock n’ roll no mais amplo sentido. Embora o pano de fundo do musical possa ser identificado com um famoso conto de fadas da "gata borralheira", que por sua vez é inspirado no conto de Rhodopis da Grécia antiga, o fio narrativo da história é apenas um pretexto para um mergulho profundo na psique humana, uma delirante metáfora onde hipocrisia, sexualidade, incongruência, frivolidades, estupidez, covardia, maldade, preconceito e ilusão costuram uma história de um universo absurdo e irônico, doloroso e cruel, que reflete os caminhos e devaneios infinitos da mente humana. Tudo costurado em um clima rock n’ roll, contado no palco por 11 performers e uma afiada banda de cinco músicos.

Foto ©Renato Pagliacci
Cinza tem texto, direção, músicas, letras e direção musical de Jay Vaquer, que compôs uma série de 37 canções originais e percorreu um longo caminho ao dedicar os últimos anos para sua construção. Formado pelo Teatro Escola Célia Helena, Vaquer já é um veterano nos palcos, íntimo das coxias desde a adolescência. Nos últimos anos, no entanto, dedicou-se mais à música, tendo lançado sete CDs. Jay já havia composto diversas trilhas para o teatro, mas o divisor de águas de sua carreira foi em 2000 quando viveu "Justo", personagem principal do musical Cazas de Cazuza – obra seminal que marca o início da retomada do teatro musical brasileiro.

"Comecei a escrever Cinza de uma forma orgânica, não racional, e eu mesmo me surpreendi com a proporção que tudo tomou. Virou um processo viciante, que me dá um enorme prazer e uma realização que eu ainda não havia experimentado" - explica ele. Criador de grandes imagens e tramas intrincadas em seus clipes e letras, Jay transportou para o palco de Cinza seu universo imagético: "Sou muito visual, sempre foi assim. Enquanto escrevia Cinza, eu já visualizava o espetáculo grandioso, cinematográfico. Estou bem satisfeito com o resultado".

Com uma duração de 125 minutos, Cinza é, mais que uma história, um delírio, um desfile de sensações e situações que povoam a mente da protagonista. C. é uma garota extremamente inteligente, estudiosa, observadora e tímida. Foi criada em um ambiente familiar complicado. Sua mãe sofria de esquizofrenia em um grau severo. Seu pai a criou como pôde, fazendo o possível para que ela não presenciasse os surtos da mãe. Com a mãe doente, o pai arruma uma amante, Emilie. Ver a família desestruturar-se diante dos seus olhos e o sentimento de impotência fez com que os primeiros sintomas da mesma doença de sua mãe começassem a aparecer, através de "amigos imaginários".

Com o trágico suicídio de sua mãe, que se mata a facadas, C. vê seu pai tornar-se um homem apático, deprimido, que definha a cada dia e passa a ser dominado pela mulher que não é sua mãe. C. não sabe lidar com essa situação e os sintomas vão se agravando, fazendo com que ela se isole para não causar problemas ao pai. Os livros e os estudos são suas válvulas de escape. Quando o pai se suicida com um tiro, C., sem conseguir suportar a perda do seu último elo familiar, sucumbe. Em um furacão de excesso de informações e sentimentos, é arrastada para dentro do pesadelo da sua própria mente.

Foto ©Renato Pagliacci
Nesta perturbadora viagem, C. visita tudo o que viu e viveu, deparando-se com as questões que cercam a vida humana: ódio, sexo, religião, moral, preconceito, morte, hipocrisia, poder, entre muitas outras coisas representadas por seres que são sombras do seu próprio ego. Cada encontro com uma sombra é conflituoso, pois C. se mostra justa, idealista, sonhadora. Deparar-se com um lado de si mesma que representa o completo oposto de suas qualidades faz com que ela se desconstrua, reveja e critique todos os aspectos que constroem a personalidade e as relações humanas. E tudo que ela reprime, o cão "Jeremias", seu alter ego alucinado e alucinante, expressa com um latido.

Ao longo do caminho, C. percebe que as respostas para as suas questões não bastam e que se perdeu numa questão que não há sombra que responda: quem ela é? Nesse momento, C. nota o quão imersa ela está nesse universo. Sem mais saber o que é real e o que é irreal, C. precisa escolher se luta para encontrar a realidade ou se continua na ilusão, para encontrar a si mesma. Em sua busca sem respostas, a protagonista acaba sucumbindo e criando um universo paralelo, onde os personagens de sua vida se tornam personagens de contos de fadas.

Segundo a psicanalista Sara Buzak, "C. alterna realidade e imaginação delirante, através do seu alter ego, que representa sua voz verdadeira, sua catarse, que late ao longo de todo o espetáculo. Toda a trama expressa, de forma gritante, a presença de um sintoma psicossocial, o desamparo, estado de espírito propício à instalação de importantes problemas emocionais. Vaquer, neste grandioso espetáculo de estreia, nos brinda com a trajetória trágica de uma jovem cujos sentimentos mais puros, sonhos e esperanças, são incinerados pela dor, sofrimento e desamparo. Restam-lhe as cinzas".


Cinza
Quando? Quartas, 21 e 28 de janeiro e 4 e 11 de fevereiro, às 21h
Onde? Teatro Oi Casa Grande
Rua Afrânio de Mello Franco, 290 - Leblon
Quanto? R$ 50,00 a R$ 80,00


O que mais já passou por aqui

Não podemos esquecer também dos outros posts mais antigos que também passaram por aqui. Confira abaixo alguns deles que deram o que falar!