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Adubo ou a sutil arte de escoar pelo ralo

Publicado por: Carioca Cult
segunda-feira, 20 de abril de 2015

Espetáculo com Juliano Cazarré aborda a morte de maneira natural e por vezes cômica



Sucesso de público e crítica no país e um marco na história do Teatro de Brasília, o espetáculo Adubo ou a sutil arte de escoar pelo ralo, uma criação de 2005 da Cia de Teatro Universitário Candango, chega à Gamboa nos próximos dias 25 e 26 de abril. Em cena, Juliano Cazarré, Rosanna Viegas, André Araújo e Pedro Martins apresentam histórias que tratam da morte, propondo uma maneira mais natural de lidar com este misterioso e indesejado momento.

Trabalhando sempre com as oposições entre vida e morte, claro e escuro, trágico e cômico, o espetáculo leva o público a refletir sobre a morte e a encará-la como parte da vida, de um ciclo que se renova constantemente. A direção é de Hugo Rodas, diretor uruguaio radicado em Brasília desde a década de 70. A dramaturgia é uma criação conjunta dos próprios atores, que realizaram uma extensa pesquisa sobre o tema "morte", buscando informações na filosofia clássica, na literatura, na medicina, na psicologia e em diversas religiões.

A peça integra a programação do Gamboavista. Com curadoria do ator e diretor Cesar Augusto e direção artística de Marco Nanini e Fernando Libonati, a 4ª edição do projeto do Galpão Gamboa vai até o dia 10 de maio e conta com espetáculos teatrais (adultos e infantis) e shows.

Contando histórias que trazem a morte ora com pano de fundo, ora como personagem, o grupo alterna momentos de grande emoção, comicidade, lirismo e, por vezes, terror. São três histórias, principais que atravessam o espetáculo.

A primeira delas trata da morte de Balu, um cãozinho filhote. Aqui, o grupo observa a morte pelos olhos de uma criança, o jovem dono do cachorrinho. Seu pai tenta lhe explicar o que é a morte, seu caráter irreversível e como aceitá-la. A segunda história se passa num bar, onde três ébrios e seu fiel garçom conversam sobre a morte, sobre aproveitar cada dia como se fosse o último e até sobre o suicídio. A terceira história é uma adaptação de bela parábola budista. Uma mãe busca um remédio para a morte do filho até que encontra Buda, aqui sob a forma de um malandro carioca. Ele sugere que um simples grão de mostarda de uma casa onde não tenha morrido ninguém pode resolver a questão. Ao perceber que em todas as casas há mortos, ela tem a revelação que lhe trará paz.

Várias outras histórias se interpõem às três principais. A passagem de uma para outra é rápida e orgânica, não há mudança de figurino ou maquiagem. Desta maneira a diferença entre os personagens se dá apenas na interpretação dos atores e na iluminação. Passando rapidamente de uma cena emocionante para outra cômica, por exemplo, o público é colocado numa montanha russa de emoções, onde risos e lágrimas se misturam.

Pendurado na beira de um penhasco, um príncipe pede socorro, a situação ganha contornos surreais quando um homem se recusa a salvá-lo, questionando os motivos fúteis do nobre para continuar vivo. Numa encenação de um conto judaico, uma mulher traz consigo todo o peso de revelar ao marido a morte dos filhos enquanto este viajava a trabalho. No cangaço brasileiro, onde a honra é a lei máxima que rege as ações, Teolinda Ferreira se vê obrigada a ensinar uma dura lição a seu filho Jesuíno, que cometeu a pior falha de todas: a traição. Um homem, que tentou cometer o suicídio cortando sua garganta, é condenado à morte em praça pública por enforcamento. O absurdo da situação fica ainda maior quando o enforcamento se mostra inútil, devido à ferida no pescoço do condenado. Uma suicida no fundo do mar após atirar-se para a morte. Um homem, interrogado e torturado por um tirano e seu hilário auxiliar, é condenado a morte por seu desconcertante niilismo. E há também intervenções feitas por personagens, como o rap do menino que perdeu seu cachorrinho ou a exortação bíblica contra o suicídio feita por um bêbado em pleno boteco.

Ficha Técnica:

Direção: Hugo Rodas
Concepção e atuação: Juliano Cazarré, Rosanna Viegas, André Araújo e Pedro Martins
Luz: Caetano Maia


Adubo ou a sutil arte de escoar pelo ralo
Quando? Sábado, 25 de abril às 21h e domingo, 26 de abril às 20h
Onde? Galpão Gamboa - Teatro
Rua da Gamboa, 279 - Centro
Quanto? R$ 20,00 (inteira) / R$ 10,00 (meia)

Classificação: 14 anos
Duração: 75 minutos
Capacidade: 80 lugares

Mais informações: (21) 2516-5929

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