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Paraíso Zona Sul

Publicado por: Carioca Cult
quarta-feira, 6 de maio de 2015

De 6 a 22 de maio, seis histórias, ambientadas em bairros diferentes da Zona Sul, abordarão conflitos familiares com a imprevisibilidade de Nelson Rodrigues e estética de Lars Von Trier




Tendo o Rio de Janeiro como ponto de partida paradoxal e profundamente inspirado no universo de Nelson Rodrigues, o espetáculo inédito Paraíso Zona Sul, de Jô Bilac, estréia na Sede Das Cias, na Lapa, do dia 6 a 22 de maio, sempre às quartas, quintas e sextas-feiras, às 20h. São seis peças que se entremeiam, um universo de recortes, que vistos de cima formam um mapa, onde personagens carnais, profundos e banais, são inseridos em situações limite, dentro do descontrole do âmbito privado. As seis peças provocam o expectador e trazem o desafio de falar da natureza humana com sua toda sua beleza, histeria, imprevisibilidade e crueldade.

Paraíso Zona Sul é resultado da seleção do Grupo Fragmento, em 2014, na mostra Novas Cenas da Secretaria de Estado de Cultura, realizada na Biblioteca do Parque Nacional, no Teatro Alcione Araújo, que prestigiou o autor Jô Bilac, com a montagem de oito de seus textos por diferentes grupos de teatro do estado do Rio de Janeiro. Os seis textos, de linguagem própria e estética fragmentada, tratam de assuntos similares, como a morte, a fidelidade e as relações familiares e foram escritos em momentos diferentes, o que motivou o grupo fragmento a conceber uma unicidade à montagem, assumindo então a peça em si, como uma colcha de retalhos coloridos que cobre a mesma mesa, no caso a Zona Sul, da cidade do Rio de Janeiro.

Esteticamente inspirada no filme Dogville, de Lars Von Trier, com a cidade no palco o tempo inteiro e os personagens transitando por diferentes âmbitos privados, o espetáculo busca surpreender o espectador através de um novo espaço, tempo e luz, e os cinco atores se desdobram em dezessete personagens que vivem situações limite dentro da loucura íntima das relações familiares. Com a intenção de levar o espectador ao avesso do ser humano, Jô Bilac construiu seis histórias que surpreendem por sua imprevisibilidade. Assim, Vicentinho, dono da doceria Paraíso na Boca, no bairro da Glória, precisa decidir se crê ou não na fidelidade de sua esposa após receber um telefonema anônimo. Na Urca, Lilico interroga Tiago insistentemente, o bonito médico que veio casar com sua filha Vilminha, que segundo o pai, é “um bucho de marca maior”. Em Ipanema, Breno espera ansiosamente que Rosane fique pronta para o grande baile, enquanto sua sogra tem comportamentos estranhos em relação a ele. Em Copacabana, Mauro precisa encontrar a Fatinha certa, mas ela está viva ou morta? Paraíso Zona Sul trás em cada história a riqueza dos dramas familiares, tratando questões que vão desde a infidelidade conjugal até a morte dos entes queridos, tratados com humor e a crueldade naturais ao humano.

Paraíso Zona Sul conversa com as questões mais intrínsecas a qualquer ser humano, na medida em que trás os conflitos familiares como sua principal fonte cênica. Apesar de sua escrita parecer situar-se num passado próximo, dos anos 50 até os 80, funciona sem pieguice como um espelho da nossa sociedade. Porém, vai além, pois trata de subverter o humano e suas possíveis reações. A loucura do âmbito privado e a carência violenta do humano são reveladas através de uma lupa que, ao adentrar os espaços privados daqueles que vivem na zona mais desejada do Rio – a Zona Sul - (seja por sua beleza, como pelo status de sua condição social), destrói e constrói a visão de paraíso tão explorada pela própria cultura carioca.

Ficha Técnica:

Texto: Jô Bilac
Direção: Nirley Lacerda
Direção de Movimento: Marcelle Sampaio
Trilha Sonora: Frederico Demarca
Elenco: Ana Carolina Dessandre, Carolina Ferman, Diogo de Andrade Medeiros, Elio de Oliveira e Monique Vaillé
Direção de Produção: Monique Vaillé
Iluminação: João Gioia
Figurino: Patrícia Muniz
Cenografia: Vanessa Alves
Design: Elio de Oliveira
Fotografia: Rafael Nóbrega
Realização: Grupo Fragmento


Paraíso Zona Sul
Quando? Quartas, quintas e sextas, de 6 a 22 de maio, às 20h
Onde? Sede das Cias
Rua Manoel Carneiro, 10 - Lapa
Quanto? R$ 20,00 (inteira)

Classificação indicativa: 16 anos
Duração do espetáculo: 60 min

Mais informações: (21) 2137-1271

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